A Cabana

Então voltaram ao acampamento e, depois de várias viagens aos banheiros, Mack enfiou os três na segurança de seus sacos de dormir.
Rezou brevemente com Josh antes de ir até onde Kate e Missy estavam esperando. Quando chegou a vez de Missy rezar, ela quis conversar com o pai.

– Papai, por que ela teve de morrer?

Mack demorou um momento para descobrir do que Missy estava falando. Percebeu subitamente que a princesa índia devia estar na cabeça da menina desde cedo, quando ele contara a história.

– Querida, ela não teve de morrer. Ela escolheu morrer para salvar seu povo. Eles estavam doentes e ela queria que se curassem.
Houve um silêncio e Mack soube que outra pergunta estava se formando no escuro.

– Isso aconteceu mesmo? – A pergunta agora vinha de Kate, obviamente interessada na conversa.

Mack pensou antes de falar.

– Não sei, Kate. É uma lenda, e às vezes as lendas são histórias que ensinam uma lição.
– Então não aconteceu de verdade? – perguntou Missy.
– Pode ter acontecido, querida. Às vezes as lendas nascem de histórias verdadeiras, coisas que aconteceram de fato.

De novo silêncio, e depois:

– Então a morte de Jesus é uma lenda?
Mack podia ouvir as engrenagens girando na mente de Kate.
– Não, querida, a história de Jesus é verdadeira. E sabe de uma coisa?
Acho que a história da princesa índia provavelmente também é.
Mack esperou enquanto suas filhas processavam os pensamentos.

Missy foi a próxima a perguntar:

– O Grande Espírito é outro nome para Deus? Você sabe, o pai de Jesus?
Mack sorriu no escuro. Obviamente as orações noturnas de Nan estavam surtindo efeito.
– Acho que sim. É um bom nome para Deus, porque ele é um espírito e é grande.

– Então por que ele é tão mau?

Ah, ali estava a pergunta que viera crescendo na cabecinha da filha.
– Como assim,Missy?
– Bom, o Grande Espírito fez a princesa pular do penhasco e fez Jesus morrer numa cruz. Isso parece muito mau.
Mack ficou travado. Não sabia como responder.Com seis anos e meio,
Missy estava fazendo perguntas com as quais pessoas sábias haviam lutado durante séculos.
– Querida, Jesus não achava que o pai dele era mau.Achava que o pai era cheio de amor e que o amava muito. O pai dele não o fez morrer.
Jesus escolheu morrer porque ele e o pai amavam muito você, eu e todas as pessoas. Ele nos salvou da doença, como a princesa.
Agora veio o silêncio mais longo e Mack começou a imaginar que a menina teria caído no sono. Quando ia se inclinar para lhes dar um beijo, uma vozinha com um tremor perceptível rompeu a quietude.
– Papai?
– Sim, querida?
– Algum dia eu vou ter de pular de um penhasco?
O coração de Mack doeu quando ele entendeu a verdadeira questão.
Abraçou a menininha e a apertou. Com a voz um pouco mais rouca do que o usual, respondeu gentilmente:
– Não, querida. Nunca vou pedir para você pular de um penhasco,
nunca, nunca, jamais.
– Então Deus vai me pedir para pular de um penhasco?
– Não,Missy. Ele nunca pediria que você fizesse uma coisa dessas.
Ela se aninhou mais fundo em seus braços.
– Está bem! Me dá um abraço apertado. Boa noite, papai. Eu te amo.
– E apagou, caindo num sono profundo embalado por sonhos bons e doces.
Depois de alguns minutos, Mack a colocou suavemente no saco de dormir.
– Você está bem, Kate? – sussurrou enquanto lhe dava um beijo.
– Estou – veio a resposta murmurada. – Pai?
– O que é, querida?
– A Missy faz perguntas boas, não é?
– Com certeza. É uma menininha especial. Você também é, só que não é mais tão pequenininha. Agora durma, temos um grande dia pela frente. Lindos sonhos, querida.
– Você também, pai. Te amo demais!
– Te amo também, de todo o coração. Boa noite.

Mack fechou o zíper do reboque ao sair, assoou o nariz e enxugou as lágrimas que desciam pelo rosto. Fez uma oração silenciosa de agradecimento a Deus e foi coar um pouco de café.

"Duas estradas se bifurcaram no meio da minha vida, Ouvi um sábio dizer. Peguei a estrada menos usada. E isso fez toda a diferença cada noite e cada dia."
Larry Norman

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A Cabana
Autor:  William P. Young
Editora: Sextante






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Terminei de ler, e indico para quem gostar do gênero.
É simplesmente lindo.

Acho que depois desta pequena amostra, não é preciso meus comentários...:)

Bjo*

4 comentários:

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Cara amiga.

Penso que quando gostamos de um livro,
acrescentamos a ele outra páginas.
Páginas de sonhos que semeados
em nós,
crescerão com a força das idéias
e dos sentimentos.

Dias de paz para ti.

Paulo Tamburro disse...

ANDREA,

estou lhe esperando.

Venha, ok?

Um abração carioca

Tânia regina Contreiras disse...

Pelo que li, um livro de ensinamentos profundos, contados docemente. Sim, belo o livro, parece...

Beijos

Marcos Campos disse...

Oi Andrea!
Li esse livro...foi bom...
Beijo!